A Forma Hábil

Certa vez li em um livro de Phil Jackson e Hung Delehanty (Cestas Sagradas) sobre o termo forma hábil, que segundo os budistas é usado para descrever uma maneira de tomar decisões e lidar com problemas que seja adequada à situação específica, e que não cause prejuízo a ninguém. A forma hábil sempre surge da compaixão, e quando o problema emerge, a ideia é lidar com a ofensa sem jamais negar a humanidade do ofensor. Um pai que manda o filho para a cama por ter derramado leite, em vez de dar uma esponja, para a criança, não está praticando a forma hábil.

Roger, ao que tudo indica, encontrou a forma hábil. Na escalada da evolução como um time, encontramos a maturidade, onde há o respeito uns com os outros. Seja do técnico com o jogador, seja do jogador com o técnico ou seja entre os próprios jogadores.

Há técnicos que preferem ter o controle total sobre os jogadores, tentam mantê-los em rédeas curtas, como diria um técnico da NBA “Eu sou a azia dos jogadores”. Outros, com receio de entrar em rota de colisão com o grupo prefere deixá-los um pouco livres, achando que conseguirão vencer por sí mesmos.

Roger escolhe o caminho do meio, preza pela disciplina e como suas próprias palavras: “Não conheço jogador que treine caminhando que irá jogar correndo”. E por isso, cobra dedicação, disciplina e intensidade. Primeiro procurou fazer com que os jogadores entendessem sua filosofia e propósito, depois de aceita, conheceu ainda mais seus jogadores. Ouviu seus anseios, suas vontades e objetivos. Roger procurou elevar seus potenciais os colocando no lugar certo para renderem o máximo possível.

Procuro fazer um exercício de memória recente para entender a nossa real evolução, volto há uns 3, 4 ou 5 anos atrás e comparo as peças, filosofia de jogo, inteligência emocional e gestão.

Desta equação concluo que há muito não tínhamos uma equipe tão coesa e unificada. Por mais que existam diferenças técnicas entre alguns jogadores, há uma “liga” entre eles se formando, um propósito, um desenvolvimento tribal. Os times de futebol não são oficialmente tribais, mas possuem muitas características semelhantes.

Quando se possui um time olhando para a mesma direção, não importa o que vier pela frente, o todo é muito maior e ganha força na medida em que evolui e aprende a lição dos seus próprios erros. Estamos encorpando e principalmente desprovidos de qualquer vaidade ou egocentrismo. Depois de muito tempo, estamos praticando o não-egoísmo dentro e fora do campo. Deixamos de ser uma equipe individualista para ser um time unificado. Não tenho dúvidas que renderá frutos em breve.

Haverá altos e baixos algumas vezes, no entanto o que importa é a “cola” que unifica o grupo como um time propriamente dito.

Daniel Ferreira da Silva Integrante do Sócios Livres - Grêmio de Todos