A Mentalidade Derrotista

O Grêmio durante muito tempo foi tido e havido como um time muito difícil de se enfrentar em mata-matas. Exemplo disso, é que nas 13 primeiras copas do Brasil do Brasil, o Grêmio chegou a 7 decisões. Agora, nas últimas 14 edições o clube não chegou a nenhuma decisão. Tentei identificar em que momento o Grêmio começou a deixar de ser Grêmio. Quando ocorreu a perda da identidade de um time vitorioso, que mesmo não tendo os melhores elencos conseguia superar seus adversários na grande maioria das vezes, quando se tratava de confrontos decisivos.

Nesse exercício de volta ao passado, lembrei-me de uma situação ocorrida no ano de 2009, que penso tenha sido uma mudança de mentalidade. Não de gestão do clube, mas de atitude dos dirigentes em relação aos jogadores e ao que pensam ser o verdadeiro tamanho do Grêmio.

Em 2009 nas quartas de final da Libertadores o Grêmio passou pelo “fortíssimo” Caracas com dois empates (1x1 fora e 0x0 no Olímpico), lembro que saí do Olímpico muito aborrecido com a atuação e o resultado. Estávamos na semifinal da Libertadores, no entanto, o futebol apresentado e o espirito do time não transmitiam confiança. Ao ser entrevistado, ao final do jogo, o então presidente Duda Kroeff falou: “Estou aliviado que passamos pelo Caracas, não podíamos ser eliminados por eles, agora enfrentaremos o Cruzeiro, se formos eliminados, ao menos teremos sido, por um time grande”. Sim, senhores, essa foi a declaração do nosso presidente quando chegamos a uma semifinal de Libertadores. Quando ele terminou de falar, eu já tinha certeza que morreríamos na semifinal. Não precisa ser gênio para prever como uma declaração dessas será entendida pelos jogadores.

Coincidentemente ou não, depois dessa absurda declaração, o Grêmio jogou 5 mata-matas de Libertadores: Cruzeiro (2009), Universidade Católica (2011), Santa Fé (2013), San Lorenzo (2014) e Rosário Central (2016): perdeu todas! Somente obteve sucesso na Pré-Libertadores de 2013 contra a LDU nos pênaltis (não contabilizo como sendo um mata-mata de Libertadores).

O que tento dizer é: não bastasse, os cargos da direção serem loteados para amigos, cupinchas de movimentos aliados, o que sempre ocorreu, mesmo em épocas vitoriosas, o Grêmio agora e no passado recente, através de seus dirigentes incutiram na cabeça dos atletas que aqui chegam, que não fazer fiasco, já é uma grande coisa. E digo isso sem medo de errar. Junho se aproxima e prevejo declarações do tipo: “Nos falta elenco para brigar pelo título, mas podemos conseguir uma vaga na Libertadores” Eu pergunto: Pra que essa vaga?

Absolutamente todos os anos, esse discurso é dado. Outras frases são muito repetidas ao final do ano: Se ainda tivesse mais 5 rodadas; se o time X não tivesse feito um inicio de campeonato tão bom; se o técnico Y tivesse assumido 3 rodadas antes, e por ai vai. Desculpas para esconder a falta de planejamento não faltam, mas se repetem muito.

Para ilustrar a mentalidade covarde do time do Grêmio atual, lembro que na eliminação do Gauchão para o Juventude, o time saiu aplaudido de campo. Sim, a torcida aplaudiu a eliminação para um time de série C em casa. Vamos entender como um voto de confiança pela boa atuação no dia, e um incentivo para o jogo decisivo na quarta-feira contra o Rosário. Pois mesmo, com essa extrema boa vontade da torcida, no dia seguinte, o nosso capitão Maycon diz: “Nós jogadores não podemos carregar o peso de 15 anos sem titulo”. Foram aplaudidos ao serem eliminados por um time de série C em casa, e acham que estão carregando um fardo muito grande?

Concluí: Duda fez escola. Estamos fora da Libertadores novamente. Infelizmente acertei de novo!

Jeferson Daniel de Matos
Integrante do Sócios Livres - Grêmio de Todos