A solução está bem embaixo do nosso nariz

Nas eleições presidenciais de 2006 o então candidato Cristóvam Buarque repetia em todas suas aparições sempre o mesmo bordão: A solução é pela educação. Pensamento com o qual concordo plenamente e facilmente encontramos exemplos positivos de lugares onde isso é aplicado, basta observar a evolução consistente apresentada pela Coréia do Sul que investe maciçamente na educação e vem nos surpreendendo com seus produtos da mais alta tecnologia desenvolvidos pelo seu material humano criado “em casa”. Além da educação esta mesma visão pode ser aplicada ao futebol quando se investe nas categorias de base do clube, descobrindo e desenvolvendo potenciais jogadores desde sua mais tenra juventude. Exemplos próximos não faltam de jogadores que vieram das categorias de base e após uma ascensão meteórica foram vendidos por alguns milhões de dólares/euros ao faminto mercado europeu (ok, nesse momento nem mais tão faminto assim!). Claro que imediatamente também nos lembraremos de algum jogador criado nas categorias de base que tenha ido embora sem deixar um níquel sequer para o clube que o formou, mas estaríamos falando de exceções que foram mal geridas, mal acompanhadas e mal assessoradas. A grande maioria dos jogadores que se afirma acaba sendo negociada e rende um bom lucro ao clube, o que também é necessário para retroalimentar a “fábrica” por onde tantos precisam passar para que pouquíssimos rendam frutos positivos, mas é assim mesmo que funciona este negócio de risco.

O Rio Grande do Sul é um apêndice isolado no sul do país e em virtude da sua localização, e porque não dizer também por causa da nossa cultura um pouco diferente do restante do país, muitas vezes acabamos ficando isolados, e no futebol não é diferente. Não temos uma torcida nacional forte, o eixo Rio de Janeiro e São Paulo domina o cenário financeiro e futebolístico do país, restando para nós as migalhas que sobrarem. Para montar um time competitivo hoje em dia se faz necessário um investimento cada vez mais alto e para suportar isso,  o primeiro passo é reforçar o valor da marca para então buscar-se patrocinadores, ao mesmo tempo os torcedores são convocados a se associar e, por fim, o que considero o mais importante, é necessário o investimento em uma categoria de base que forme jogadores que possam fazer a diferença em campo, trazendo as vitórias e conquistas que tanto almejamos, como também incrementar os ganhos do clube no momento da sua venda. Por isso afirmo que a saída para a crise está bem embaixo do nosso nariz, e essa saída é investir planejadamente, consistentemente e organizadamente nas categorias de base do clube. É necessário um bom planejamento a longo prazo e esse planejamento deverá ser seguido e executado independentemente dos dirigentes que passem pelo clube pois só assim os resultados vão aparecer e fomentarão um crescimento consistente e constante, levando o nosso Grêmio novamente ao caminho das grandes vitórias e conquistas de forma permanente.