Arena, o desejo que virou problema

GAZETA DO SUL:
Direção tem dois meses para equilibrar finanças do Grêmio. Previsão interna indicou possibilidade de déficit histórico em 2013.
"Mais dois meses. Este é o limite que o Grêmio tem para equilibrar as finanças e manter a folha em dia com a atual situação que vive. Se até lá nada mudar no relacionamento com a OAS e a Arena Porto-Alegrense, a saúde financeira do clube estará bastante comprometida.
Publicamente, o Grêmio evita falar deste temor. O déficit de R$ 28 milhões em apenas três meses foi o primeiro alerta. A previsão interna é que o déficit em 2013 possa ser histórico, alcançando os R$ 80 milhões no final da temporada. Trata-se de um ano atípico, em que três fatores contribuem para a situação: o investimento no time, a transição para a Arena e a construção do Centro de Treinamentos.
"É uma situação que nos preocupa, porque perdemos receitas extraordinárias importantes, como o estacionamento, a renda dos jogos", relata o integrante do Conselho de Administração, Romildo Bolzan Júnior. O dirigente, porém, evita projetar a possibilidade de que atrasos nos salários possam ocorrer daqui a alguns meses. "Não vou falar disso. Mas é um desafio dessa direção encontrar novas receitas", diz.
Nessa quinta-feira, Eduardo Antonini negou a informação de que tivesse pedido a Fábio Koff para deixar a administração. "Fui falar com o presidente, que não concordava com alguns pontos da forma como estava sendo conduzido o assunto da Arena. Temos que trabalhar juntos para alavancar a Arena. E ele concordou comigo", relata".

Este é o tema do momento e o Presidente Koff não tem negado tais dificuldades. De certa maneira, era previsível já em 2009 esta possibilidade, que está mais para probabilidade. Os R$7 milhões anuais a serem repassados pela GE/OAS por conta da bilheteria do Olímpico sequer pagam a conta mensal da folha salarial. E isto deve perdurar por 7 anos, salvo engano meu, ainda que corrigido pela inflação. A quase certeza de lucro que era então aventada não permitiu que fosse vislumbrado que a conta de destinação de lucro poderia ser negativa, ainda que muitos posts e comentários em blogs como o Sempre Imortal alertassem para o fato. A fórmula adotada: Receitas -Despesas apontava para Lucro. Mas havia um restritivo: do Lucro seria subtraído o que seria composto por taxas, impostos e inflação, o tal Lucro Líquido Ajustado, . Este termo Lucro levou a enganos, porque o lucro pode ser também negativo, que é o que está ocorrendo no momento. O Presidente Koff tem toda razão em mostrar muita preocupação, porque há ainda um passivo [resultado publicado anualmente, por obrigação legal, em jornal de grande circulação e especializado (Jornal do Comércio, no caso)] de cerca de R150 milhões de reais. Por isso sua gestão com relação ao Contrato com a OAS/GE tem sido de aparente conflito: este contrato precisa ser alterado em partes fundamentais para o Grêmio. Ou então, começar a desmontar a equipe, dispensando seus maiores salários, mas aí começam a pressionar as multas contratuais. A gestão Vanderlei no futebol de campo não tem sido favorável pelas contratações que quer; uma política seria - e é preciso coragem para isto - começar a buscar o pessoal da base e treina-los competentemente, coisa de que Vanderlei não gosta muito (na minha percepção, ele prefere jogadores formados e "experientes", mas até nisso ele tem errado).
A questão agora é: como se pode auxiliar realmente o Clube, após o rescaldo da festa. Aguardam-se manifestações.