Conceito de Futebol

O Barcelona reafirmou sua supremacia no futebol mundial atual ao submeter o Santos a uma impiedosa goleada de 4x0 na final do campeonato mundial, ocorrida no último domingo no Japão. Não que já não se soubesse disso, mas foi uma oportunidade onde todo o mundo parou para conferir a partida e confirmar esta constatação, que já vem se apresentando a algum tempo.

O clube catalão é mais do que um extraordinário time: ele representa um novo conceito de futebol, que difere e inova em relação aos padrões futebolísticos até então estabelecidos. Mesmo em relação aos seus maiores e mais qualificados rivais europeus, o Barcelona atual leva larga vantagem e passa a constituir-se em uma das maiores equipes de futebol que a humanidade já viu, e que certamente revolucionará a forma como é feito o futebol para os próximos anos e para as próximas gerações.

Muitos são os exemplos que o time do Barcelona vem dando ao mundo dentro de campo. Algumas de suas marcas são alicerçadas sobre fundamentos bem conhecidos do futebol.

Um desses fundamentos é a qualidade técnica. A equipe catalã não teria como executar seus intensos movimentos dentro de campo se seus jogadores não tivessem tamanha capacidade técnica. A coisa não se resume a isso, no entanto. Esta qualidade é exercitada ao extremo pelos atletas a partir de uma cultura formada dentro do clube desde as categorias de base. Qualquer jogador formado pelo Barcelona sabe como jogar da maneira como observamos: troca constante de passes, pouquíssima condução de bola e chutões ou cruzamentos para área, e triangulações permanentes em "pequenas comunidades" ao longo de todo o campo.

Outro desses fundamentos é a marcação. Nas raras oportunidades em que está sem a bola, o Barcelona sufoca seus adversários com uma marcação sob pressão realizada por 3, às vezes 4 jogadores ao mesmo tempo. Esta aguda marcação só é possível a partir de um preparo físico extraordinário dos atletas e de uma organização e comprometimento fora do comum entre os jogadores.

Em resumo, o Barcelona consegue ser um time técnico sem ser um time "frouxo", e consegue ser um time de pegada sem ser um time "grosso". O resultado é uma posse de bola avassaladoramente maior em relação aos seus concorrentes - há mais de 3 anos os catalães não sabem o que é terminar um jogo com menor posse de bola do que o adversário. Como muitos técnicos ainda não entenderam, quanto mais posse de bola um time tiver, maior são as chances de que ele faça gols, e, por consequência, menor são as chances de que leve gols.

Não só o Barcelona, como grande parte das equipes vencedoras no mundo na última década nos vêm fazendo repensar nossos próprios conceitos sobre o futebol.

O jejum de títulos do Grêmio continua prendendo boa parte da torcida à imagem dos times vencedores dos anos 80 e 90, que eram muito fundamentados sobre a garra, a raça e a pegada. Sem dúvidas, foram marcas daqueles times. Contudo, há que se refletir sobre estes conceitos, especialmente porque estes times também eram muito técnicos e bem organizados. Jogadores que demonstram apenas vontade e pouca capacidade técnica não representam a verdadeira alma tricolor, assim como jogadores de boa qualidade técnica não justificam-se por esta característica se não for buscado o seu engajamento.

É preciso evoluir e entender que o futebol moderno é muito diferente daquele praticado nas décadas passadas. A relação entre clubes e jogadores mudou e o futebol virou (ou está virando) um negócio, e, para se ter sucesso, é preciso que seja gerido e administrado como tal. É necessário trabalhar obsessivamente a organização, buscar o comprometimento de todos, aprimorar a técnica, muito mais do que continuar vivendo na sombra dos times de outrora.