Grêmio: projeto individual?

Os gremistas devem lembrar do mês de janeiro de 2011, antes porém, é necessário expor uma breve síntese introdutória.

O Grêmio conta com um Conselho de Administração montado a partir de sentimentos individuais e ou perfis adequados ao que pensa o senhor Paulo Odone, com origem em setembro de 2010, época das eleições para o Conselho Deliberativo quando o G4 – Movimento Grêmio Novo, Movimento Grêmio Independente, Movimento Grêmio Democrático e Movimento Grêmio Sem Fronteiras, com 50% dos votos dos sócios, fez 100% dos novos 150 conselheiros (teriam a nobre função de representar aos 65.000 sócios).

Pois bem, consigno então que essa situação não democrática (50% dos sócios que votaram em setembro de 2010 atualmente NÃO ESTÃO DE FATO REPRESENTADOS NO CD), propiciou que o “líder” Odone escolhesse quais seriam seus “conselheiros administrativos”: após “rateio” entre os grupos “de ponta” (Novo – Eduardo Antonini e Independente – Antonio Vicente Martins), coube ao “cacique” escolher, alguns nomes de sua “confiança/simpatia”  .

Feita a introdução, chego ao cerne deste post: negociação com o “senhor” Ronaldo de Assis Moreira. Caso tenham paciência, peço suas leituras.

Durante o mês de janeiro, um dos conselheiros da administração escolhido por Odone, renomado empresário , não saía da mídia: dava entrevistas diárias, animadoras e incansáveis, todas nos passando a certeza de que o “senhor” Ronaldo vestiria novamente a camisa tricolor. Esse conselheiro comentava diariamente (nessa época havia tempo para o Grêmio – seus negócios poderiam aguardar) sobre planos de marketing, projetos financeiros, sobre a possibilidade de empresas investirem e sobre o grande contrato que seria fechado, para tal contratação. Soube-se inclusive, pelos jornais, que houve um “brinde” em sua residência, regado a espumantes, com o "mano" Roberto de Assis Moreira.

O desfecho é desnecessário lembrar: expuseram a Instituição Grêmio ao ridículo, perdemos o melhor jogador do time (JONAS), não contratamos nenhum grande jogador (perdemos COATES),.....Enfim, nosso grupo de jogadores de 2010, já carente em qualidade, foi dilapidado. Resultado: um 2011 que envergonha ao clube  e aos 8 milhões de tricolores, além de nos oferecer novamente sério risco de rebaixamento.

Desde então, após o final da fracassada contratação, em relação ao Grêmio, não se ouve, nem se lê nada mais sobre esse senhor empresário, digo, conselheiro.

Ocorre que esse mencionado senhor, antes de ser do Conselho de Administração, é conselheiro eleito pelo sócio gremista (faz parte do CD). Pelo menos comparecer às reuniões ordinárias do referido conselho, teria o dever, uma vez que foi eleito por sócios por OPÇÃO sua (espontaneamente ofereceu seu nome aos sócios)!

Para ilustrar estas modestas linhas, faço menção ao que “diz” o Portal Oficial do Grêmio na internet:

“Estes são os gremistas que comandam (vejam bem, COMANDAM, não administram) o Clube no biênio 2011/2012". Abaixo, aparecem as fotos dos 7 (sete) conselheiros: Paulo Odone, Eduardo Antonini, Antonio Vicente Martins, Ricardo Vontobel, Marcos Scapini, Francisco Santos e Carlos Viana. Além dos senhores Odone (Presidente-Deputado), Antonini (homem do projeto ÚNICO Arena), Vicente Martins (ex Vice de Futebol que jamais teve o menor perfil para comandar a área-fim do clube), os gremistas ouvem ou lêem a respeito dos demais conselheiros administrativos?

Nesse sentido, pergunto: Por que será que o referido conselheiro-empresário, após o fracasso do caso Ronaldo de Assis Moreira, não mais “vive o clube”, para o qual foi eleito conselheiro e designado administrador da Instituição Grêmio?

Os resultados do futebol são decorrentes de situações e sentimentos como esses, uma vez que o Grêmio necessita de dirigentes e conselheiros comprometidos para com o clube e seus projetos institucionais. Não basta termos “ilustres” gremistas (empresários bem sucedidos, autoridades públicas,....), com conhecimento, notoriedade e ou riqueza (construída com competência empresarial ou em carreiras profissionais brilhantes), se essas “celebridades” não estiverem comprometidas com o Grêmio!

O que tem de ser ressaltado aos 8 milhões de gremistas é que o "registro em formulários e ou em pesquisas" de que somos gremistas é muito pouco. Ser gremista é comprometer-se com o clube que adoramos; é abrirmos mão de “projetos individuais”, em função dos “institucionais”. Esse sentimento - comprometimento - pouco existe no Conselho de Administração e em grande parte dos membros do Conselho Deliberativo.

A característica "comum" da maioria desses conselheiros é a omissão, a inércia, o "cabresto" e a vaidade , o brilho pessoal.

Enquanto o Grêmio não estiver acima dos projetos individuais, estaremos amargando derrotas e apequenamento institucional, o qual vem ocorrendo há mais de 10 (dez) anos.

O Futebol e o clube, da forma que estão sendo conduzidos (e profissionalizar não é remunerar com altas somas pessoas incompetentes/amigos sem capacidade), diminuem ano a ano nossa torcida e principalmente nossa Instituição.

O Grêmio necessita de gremistas que o tenham sempre “acima de tudo”!!!

Vitor Guilherme Ruschel
Sócio patrimonial – matrícula 34646
Integrante do Movimento Sócios Livres, Grêmio de Todos