Manifesto ao Presidente Odone

Prestamos todo nosso apoio e alertamos uma série de situações, por "CARTA ABERTA" no dia de sua posse, mas a esperança de mudança efetiva se esvai dia a dia e não podemos assistir passivamente a tantos erros e perdas de oportunidade.

O PROBLEMA DO GRÊMIO É DE ESTRUTURA!

A triste noite do jogo com o Avaí foi mais um episódio causado pela série interminável de equívocos com origem temporal no ano de 2000, época de “ufanismo” dos tempos de ISL.

Como em 2000, nosso mandatário maior assume baseado unicamente em “promessas”. Em 2000, prometia-se o “time dos sonhos”; que o Grêmio disputaria o “mundo”.

Em 11 de setembro de 2010, a Chapa Renova Tricolor, formada pelos grupos políticos: Grêmio Democrático, Grêmio Independente, Grêmio Novo e Grêmio Sem Fronteiras fez 50,42% do Votos, com as “bandeiras” (1) das promessas de vitória e (2) e de fidelidade a um “cardeal”, fez com que 85% do Conselho Deliberativo elegesse sem a participação direta do Sócio, Paulo Odone como Presidente do Grêmio.

De setembro de 2010 até hoje, o que mais lemos e ouvimos foram “promessas”: prometeu-se uma parceira que investiria R$ 50 milhões no futebol; prometeu-se a qualificação da boa base de jogadores deixada pela gestão anterior; prometeu-se a “profissionalização” do clube. Atualmente Odone, promete hegemonia sobre o tradicional adversário e “anos de conquistas” após a construção da ARENA. Enquanto promete, o Grêmio afunda e hoje se aproxima do Z4, pois o “presente” parece não lhe interessar.

É exatamente assim que agem os “políticos-partidários”; preocupam-se com a próxima “eleição” (gestão), jamais com a “geração” (o clube)!

Na prática, constataram-se: o esfacelamento da boa base de jogadores de 2010 e uma gestão comandada por um Presidente que dirige o clube dividindo-se entre a Assembléia Legislativa do RS e o Grêmio.

Enfim, Presidente Odone o Senhor deveria se dedicar inteiramente a uma ou outra causa.  Sua ausência não seria tão nefasta à Instituição Grêmio se a característica essencial de sua “subjetividade” (age por seu sentimento individual) não fosse a imposição de vontades e a transferência de responsabilidades a cada entrevista.

Sua entrevista, pós jogo Grêmio e Avaí, demonstrou quase que plenamente suas características: demagogia, transferência de responsabilidade e personalismo. Diante de sua oratória falaciosa – o senhor Odone transpareceu explicitamente que tudo, no futebol, mudaria: treinador e direção de futebol.

O que houve então? No lugar de fortalecer o grupo de jogadores, permitiu a saída de vários jogadores enfraquecendo ainda mais, um grupo que já não era forte, propiciando a incineração de Renato que desde o início não era seu técnico favorito. Para os lugares desses jogadores fiadores do esquema do nosso treinador, não trouxe nenhum atleta à altura da Instituição Grêmio. Aliás, as contratações feitas em 2011 foram todas equivocadas e mal sucedidas. Como solução extirpou do clube, pelos microfones, Renato a causa menor do péssimo futebol apresentado desde janeiro de 2011 e manteve uma direção de futebol que ainda não disse a que veio.

Hoje, percebemos, como em 2000, que os problemas graves por que passa o Grêmio são de estrutura. São problemas relacionados intimamente à forma em que o clube é gerido: disputa de interesses e Instituição sem continuidade.

O Grêmio tornou-se refém do “caciquismo”, dos projetos pessoais e das “confrarias”. Dirige-se, com honrosas exceções, a maior Instituição de Futebol do Sul do Brasil como se fosse um “Grêmio Estudantil”, um grupo de amigos ou um “degrau” que leva nomes individuais, marcas ou escritórios ao conhecimento do público.

Enquanto o Grêmio não for de seus 70.000 sócios, assistiremos a esse amontoado de equívocos que estão, ano a ano, apequenando o clube e distanciando o torcedor da vida gremista!

A solução do Grêmio passa pela (1) aposentadoria do velhos líderes (2) reformulação da estrutura do poder e (3) primazia do interesse coletivo, ou seja, a Instituição Grêmio tem ser “revolucionada” de forma que sua condução seja executada “coletivamente” e para os 8 milhões de gremistas.

Os projetos individuais e as disputas de vaidade não podem mais se valer do Grêmio como palco.

Enquanto isso acontecer, continuaremos reféns daqueles que estão diminuindo o clube a cada temporada para sofrimento da coletividade gremista.

Desejamos ao novo treinador, Júlio Camargo, o maior dos sucessos, pois nosso compromisso é com a Instituição Grêmio, independentemente de gestores e de suas incapacidades até então demonstradas. No entanto, sem reforços, temos convicção de que tanto o trabalho desse excelente profissional, como o desempenho do Grêmio, neste Brasileiro, estará seriamente comprometido. Torcemos para que seja ao contrário, mas a realidade está batendo forte em nossa porta.

Ontem, após a vitória sobre o Coritiba, o Senhor foi a campo ao final da partida para cumprimentar os atletas e recebeu dos torcedores presentes, na social, o tratamento de quem erra e está em débito com o Grêmio. Uma reação que tem as causas expostas neste texto e que, sim, são de sua responsabilidade. Ficou claro que a sua reação foi desmedida e inadequada ao duvidar do Gremismo de quem protestou. Ouvir essas manifestações é o ônus do cargo. Assimile o ocorrido e nos dê a resposta com resultados e não com sua retórica política, com auto-vitimização e com a inversão dos fatos. Lembre-se que sua reeleição foi construída com base em fartas promessas, oposição sistemática à Gestão anterior e ao insucesso dos resultados de campo, prática que queremos ver encerrada no Grêmio. O desnecessário “discurso” acirrou mais os ânimos, desnecessariamente.

Presidente ainda é hora de pensar e agir pelo Grêmio.