O Verdadeiro Lugar do Conselheiro Deliberativo do Grêmio

No próximo mês de setembro, os associados do Grêmio irão eleger cento e cinquenta novos Conselheiros, juntamente com trinta suplentes, que deverão renovar metade do Conselho Deliberativo do clube pelos próximos seis anos. Na última eleição para o Conselho, realizada em 2013, mais de mil e duzentos associados se candidataram ao cargo de Conselheiro, em uma eleição que contou com mais de oito mil votantes. Em que pese ser verdadeiramente salutar o vivo interesse dos associados do clube em participar de suas instâncias decisórias, se faz necessário repensarmos o perfil dos associados que deveriam fazer parte do Conselheiro Deliberativo do clube.

De acordo com o Estatuto Social do Grêmio, o Conselho Deliberativo é competente, dentre outras atribuições, para decidir e votar o orçamento anual do clube; decidir sobre o planejamento estratégico; aprovar as chapas concorrentes à eleição do Conselho de Administração, bem como dar interpretação às disposições estatutárias que suscitarem dúvidas. Segundo as disposições estatutárias, o Conselho Deliberativo do Grêmio se reúne, ordinariamente, em até dez sessões anuais para tratar das questões de sua competência, sendo certo que é nas sessões que o Conselheiro deverá expor suas opiniões e votar nos assuntos em discussão.

Contudo, observa-se uma baixa frequência dos Conselheiros às sessões do Conselho Deliberativo. Em alguns casos, ocorrem votações com menos da metade dos conselheiros eleitos prtesentes em uma sessão ordinária. Tal omissão, além de fragilizar uma das mais importantes instâncias decisórias do Clube, acaba por inibir a chegada de novas lideranças, mais dispostas a auxiliar o Grêmio em seus assuntos internos.

Durante o período eleitoral de 2013, o grupo Sócios Livres – Grêmio de Todos, publicou um estudo comparativo no qual analisava a frequência às sessões do Conselho Deliberativo, dos candidatos que estavam buscando a reeleição ao cargo de Conselheiro. Não sem alguma tristeza, constatou-se que a média de comparecimento dos conselheiros que buscavam reeleição alcançava apenas 60%, enquanto pelo menos seis conselheiros não haviam comparecido a nenhuma sessão no período do estudo. Quando o estudo foi publicado, algumas pessoas buscaram justificar a ausência dos chamados “Gremistas Notáveis”, Conselheiros que por sua atuação política ou profissional poderiam render influência ou vantagens ao Grêmio em determinadas circunstâncias, mas que dificilmente poderiam se fazer presentes às sessões do Conselho Deliberativo, justamente em decorrência de seus afazeres profissionais.

Em minha singela opinião, urge a criação de um órgão não deliberativo, de assessoria do Conselho de Administração e do Conselho Deliberativo, no intuito de congregar aqueles notáveis Gremistas que se disponham a auxiliar o clube em suas questões institucionais, sem que isso represente na assunção das mesmas responsabilidades do Conselheiro Deliberativo do Clube. O perfil desejável do Conselheiro Deliberativo do Clube deve partir, minimamente, de sua disponibilidade em participar das reuniões do Conselho Deliberativo, de onde será demandado a opinar sobre as relevantes questões institucionais que são de competência daquele órgão.

Entendo que quanto maior e mais efetiva for a participação dos Conselheiros nas sessões do Conselho, melhor assistido e mais respaldado estará o clube no encaminhamento de suas questões institucionais. O verdadeiro lugar do Conselheiro Deliberativo do Grêmio é na sala de sessões do Conselho, auxiliando nosso clube a se tornar cada vez mais forte.

David Pereira Garcia Jr.
Integrante do Sócios Livres - Grêmio de Todos