Por uma Frente Gremista

Está mais do que na hora de se parar apenas de pensar, mas organizar de fato uma Frente Gremista, que não seria uma nova "entidade" oposicionista, mas um sistema de alianças entre as diversas correntes que hoje se colocam na oposição ao modo atual (de alguns anos para cá) de gerir o Clube. Um outro modo de fazer com que a maioria, que habitualmente se solidariza - infelizmente de forma passiva e silenciosa - com algumas vozes isoladas na crítica e na ação de propor uma nova forma para o Grêmio, se engaje efetivamente na política do Clube. Uma política gremista que fale e exponha claramente quais os problemas que o Grêmio apresenta como agremiação nos tempos atuais, de forma a tornar a disputa política mais objetiva e mais generalizada, capaz de alcançar o grande número de torcedores e simpatizantes, ao invés de limita-la a palavras de ordem contra um ou outro dirigente, jogador, técnico, ou com ações cuja finalidade está muito longe do alcance da maioria do torcedor, como é o caso da transferência para o estádio Arena e todo o projeto jurídico-arquitetònico-de engenharia-financeiro e social, que atinge apenas aqueles associados já altamente politizados. O que se lê hoje na grande maioria dos blogs das correntes e movimentos: comentários de jogos, atuação de atletas, lances do técnico, necessidade de contratações de camisas tais e tais, tudo sempre sobre o passado, sobre aquilo que nada mudará. Essa divergência tática precisa ser superada para que se chegue à unificação da oposição tricolor.

Essa idéia de Frente Gremista, do ponto de vista emocional, traria entre as diversas vantagens, aquela de permitir que as correntes que hoje disputam hegemonias, possam olhar-se e entender-se de outra maneira. Imagine-se o Sempre Imortal ingressando na Frente; isso seria visto como "olha só, até o Sempre Imortal se engajou". Ou, "vejam", o Grêmio Acima de Tudo "também está junto". Mais ainda, "essa Frente deve ser boa, pois o Grêmio do Prata fechou com ela". E assim por diante. Tal abertura e disposição de diálogo e ação conjuntos certamente teria o condão de agrupar o torcedor, com uma influência psíquica positiva de unidade. Traria confiança novamente. Os jogos e os resultados de competições sofreriam um novo modo de encarar a participação da equipe, sem a cruel e inalcançável necessidade de vencer sempre, porque o interesse se voltaria também para como o Clube estivesse sendo administrado e para onde estaria sendo impulsionado.

Acredito que uma política clubistica desse tipo apressaria a integração entre as diversas correntes que hoje habitam o universo gremista e a grande maioria dos torcedores e associados que hoje se limitam a torcer por essas forças, de longe, um tanto temerosos e perplexos, diante da "ousadia" dos que eles possam considerar como aqueles que se arvoram "donos" do clube (sócio fundo social, remido, patrimonial proprietário). Todavia, já há torcida demais no Grêmio. Todos torcem de fora e ninguém entra em campo. As platéias aumentam, os aplausos também, mas, findo o espetáculo ou finda a eleição, todos vão para casa. E os mesmos atores voltam ciclicamente a repetir os mesmos papéis, com a mesma direção, nos mesmos palcos, para um número maior de espectadores, que se limitarão a aplaudir ou a vaiar. Essa não é, sob qualquer hipótese, a formula de solução do drama tricolor. Precisamos, isso sim, de mais atores, de mais palcos e de diferentes espetáculos. O fundamental para o êxito de um movimento que leve efetivamente a um outro patamar e a um novo Grêmio, a curto ou médio prazo, é ampliar a participação ativa do simpatizante, do torcedor, do associado, naquilo que é de seu interesse, a mudança do paradigma da gestão do Grêmio. Do contrário, como até aqui tem sido, estaremos todos reencenando bienalmente a comédia da eleição e da renovação.

Raul F. Iserhard