Que falta faz uma Oposição

Lentamente o Presidente Paulo Odone vai impondo estratégia de minar qualquer oposição: contratações (que até podem estar corretas, mas não são o principal), Arena (que até pode ser inaugurada como grande feito tricolor, porém sempre como pano de fundo o adversário), tendo como base de argumentação o fato de quem se posiciona criticamente não é gremista ou não tem a verdadeira "paixão" tricolor. Assim, os próprios oposicionisas e crítios de Odone até pouco tempo atrás, começam agora a apludir, mesmo que timidamente, o segundo ano de sua administração. Esse bordão da "paixão" parece que sempre comove o torcedor e até o gremista mais crítico e está sendo habilmente trabalhado pela gestão Odone, provocando uma interessante culpa no associado/torcedor/apaixonado. Com isso, a Oposição que se prenunciava mais constante e mais crítica, começa a bater em retirada, deixando lugar a a uma aprovação geral mesmo que contestada.: em nome do gremismo, da paixão imortal, ou seja lá o nome que tiver, retira-se para não querer parecer ou ser invocada como "divisora" ou "secadora" ou "corneteira". Aí estão o erro em que cai a Oposição e o acerto da Situação, ao jogar habilmente com sentimentos. É preciso lembrar, todavia, que administrar, gerir, governar e auscultar o associado, não é necessariamente uma questão de sentimentos ou de afetos. É uma questão básica de razão, porque sem o concurso da razão, o sentimento, o afeto, podem - e isso ocorre mais que se gostaria - se perder no trajeto, deixando lugar à frustração, à decepção, ao abandono. Como ocorreu nos últimos jogos do Brasileiro. É só ver a computação do público presente.

Oposição não é, não será, não significa e não significará, ser "contra" o Grêmio, menos ainda abandono do seu símbolo. Mas viver para trás também não leva a lugar outro do que um saudosismo deslocado e prejudicial. Uma Oposição firme, constante, sem concessões, trazendo o símbolo tricolor no peito, levando propostas inovadoras (e não apenas renovadoras, salvadoras, reformadoras) e propondo (não só glórias improváveis nem lembranças épicas passadas) um outro modo de gerir o Clube. É possível.