Reduzindo Despesas

Reduzindo Despesas

Diante de um primeiro semestre sem Libertadores da América, de uma herança de um contrato da Arena que onerava ainda mais o clube (o atual contrato onera, mas bem menos) e de dois anos de gastanças no futebol, a nova diretoria do Grêmio não mediu esforços para reduzir despesas. O clube negociou jogadores com altos salários, e reformulou o elenco baseado na nova realidade econômica do clube. É verdade que ainda busca se desfazer de alguns jogadores que pesam na folha de atletas mas não estão nos planos de Felipão, como Kléber, Edinho e Adriano.

Esse esforço para reduzir a folha do futebol é válido. Inclusive, a adequação das despesas à realidade econômica do país e do clube era uma das bandeiras de muitas chapas na última eleição, incluindo a chapa #ProjetoGrêmio, apoiada pelo nosso movimento (ver AQUI).

A pergunta que surge automaticamente é: quais outros esforços financeiros o clube pode fazer. Este artigo busca apontar algumas evidências de que há um grande espaço para reduzir a folha de pessoal administrativo do clube.

De acordo com as demonstrações financeiras do clube, o Grêmio gastou R$ 19,5 milhões com pessoal administrativo em 2011. Em 2013, esse número foi de R$ 30,6 milhões. E em 2014, até o mês de setembro, foram gastos R$ 22,5 milhões. O orçamento de 2014 previa um total de R$ 41,6 milhões. Mais do que o dobro do que foi gasto em 2011.

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Estas despesas incluem pagamento de pessoal, encargos e benefícios. São as pessoas que não estão diretamente ligadas ao futebol (atletas, preparadores, treinadores, etc.), mas que precisam ser remuneradas. Certamente, o clube deve pensar em readequar essas despesas à nova realidade.

Somente em 2013 as despesas com o pessoal administrativo aumentaram 27%. Se o orçamento de 2014 foi cumprido (saberemos em breve), as despesas mensais terão sido 36% maiores do que em 2013!

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Sabemos que as despesas com futebol cresceram muito na gestão Koff. Foram diversas contratações que aliadas aos longos contratos da gestão Odone, como Kléber e Moreno, jogaram os gastos com futebol nas alturas. Estes gastos, porém, são pulverizados em diversas formas de pagamentos ao longo das demonstrações financeiras do clube. Existem os valores investidos na aquisição de atletas (direitos federativos e econômicos), os salários e encargos, os direitos de imagens, prêmios, comissões, etc.

Para fins ilustrativos, vamos comparar as despesas com pessoal administrativo com um destes gastos: salários e encargos dos atletas. A seguir está um gráfico que mostra basicamente o seguinte. O Grêmio gasta um valor que é aproximadamente 50% do que é pago em salários aos atletas com pessoal administrativo. Para cada R$ 1,00 em salário e encargos dos atletas, o Grêmio gasta outros R$ 0,50 com salários e encargos do pessoal administrativo.

Notem que isso já vem desde 2011, primeiro ano em que essas despesas foram desmembradas dentro das demonstrações financeiras. Ou seja, em 2013 e 2014, quando os gastos com salário subiram muito, as despesas administrativas subiram na mesma proporção!

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Isso mostra que existe um espaço grande para a redução de despesas. Uma redução de 25% nas despesas administrativas, por exemplo, garantiria algo entre R$ 7 e 10 milhões anuais nas contas do Grêmio.

Deve-se ressaltar que a mudança do Grêmio do Olímpico para a Arena, e a instalação do novo CT pode ter causado um acréscimo nestas despesas, porém episódico no período de realocação e remanejo do mobiliário, custos de instalações, equipe técnica e despesas extraordinárias para tal fim.

Deve-se destacar ainda que a operação Arena prevê despesas de alta monta igualmente na esfera administrativa e de matchday, porém contabilizadas na Arena Porto Alegrense. Portanto, deveríamos visualizar uma diminuição nos custos da agremiação na esfera administrativa do clube, e não o contrário.

Além disso, não podemos usar a Arena como desculpa para todos os nossos males, nesse caso específico o custo Arena deveria justificar uma redução de quadros e por conseqüência de despesas. Em tempos de dificuldade, é preciso repensar todo o funcionamento do clube e isso inclui o pessoal administrativo.

Obviamente existem setores da administração do Grêmio que tem feito excelentes trabalhos. O desafio é saber elencar quais funções e pessoas oneram o clube mais do que contribuem. Esse tipo de tarefa não é fácil, mas o clube precisa passar por isso.

Um clube endividado que corta despesas com atletas atingindo em qualidade sua atividade fim, o futebol, e não corta no administrativo, é como uma família endividada cortar a alimentação, e não cortar lavanderia, ou cortar a educação dos filhos e manter o clube de férias. Ambas são importantes, mas uma é imensamente prioritária frente à outra.

Já fizemos um grande esforço no futebol, que inclusive possibilitaram a contratação de novos atletas sob esta nova realidade. Agora, chegou a hora de outros setores do clube fazerem a sua parte.

Cristiano Machado Costa
Carlos Lenuzza

Obs: Esse post é de Opinião e não corresponde necessariamente ao posicionamento oficial do Sócios Livres.

Apêndice:

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