Respeito à paixão do Torcedor Gremista

Veja a matéria do Globo Esporte sobre a faixa

O torcedor de futebol é, como regra, um apaixonado pelo seu Clube.  Como dizem por aí, a pessoa pode trocar de cônjuge, casa ou trabalho, mas a paixão pelo seu time do coração permanece intocada. E quando o tema é paixão pelo futebol no sul deste país, a torcida gremista é a maior referência. O entusiasmo e a energia, que pulsam nas arquibancadas do Olímpico em dias de jogos, fazem do Grêmio, além de um time lutador (“peleador”), um predestinado a vencer (“copero”). 

Ocorre que, nos últimos tempos (há pelo menos uma década), as batalhas têm nos deixado, com raras exceções, apenas um gosto amargo. Pela amostragem recente, nos tornamos apenas “peleadores”, isso quando a equipe mostra bravura, pois em inúmeras ocasiões a coragem, que emana das arquibancadas, parece não contaminar os jogadores que defendem o manto Tricolor.

Voltando ao tema inicial deste texto, é preciso dizer que o amor/paixão do gremista com o Tricolor é uma espécie de “casamento indissolúvel e perpétuo”. E falando em casamento, não podemos esquecer aquela máxima comumente dita pelos nubentes apaixonados: “te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza”.

Ora, o torcedor gremista tem demonstrado, a cada jogo, seu amor e sua fidelidade pelo Clube. Mesmo nos períodos mais sombrios e tristes da história do Clube, seu torcedor jamais deixou de transmitir sua força. Aliás, a paixão e a força da torcida gremista é que fizeram do Tricolor um clube centenário e vitorioso. Mas uma coisa gostaria de ressaltar: o amor do torcedor gremista é infinito, mas não cego. O incentivo e o amor, reiterados pela torcida a cada jogo, não significam o esquecimento dos erros passados ou, até mesmo, um salvo-conduto para as cobranças de insucessos futuros.

Pois, justamente esta dinâmica, que envolve a paixão do torcedor e suas manifestações, sejam elas de incentivo ou de cobrança, deveria ser bem compreendida por aqueles que foram eleitos para administrar o Clube.

Quando os torcedores lotam o Olímpico e empurram o time para vitórias e conquistas, eles celebram sua paixão. Mas esta mesma paixão, também os legitima a exteriorizar sua insatisfação quando detectam falta de comprometimento do contexto Tricolor (direção/jogadores) com os objetivos do Clube e de sua imensa Torcida.

Neste contexto, vejam o episódio desta semana, em que houve a fixação, durante os treinamentos do time, de uma faixa com a palavra: VERGONHA. Ora, será que os torcedores não podem manifestar sua insatisfação diante do lastimável resultado ocorrido dentro do Olímpico, que escancarou a fragilidade e a deficiência da equipe forjada pelos atuais dirigentes? Será que há desrespeito nesta pacífica atitude de cobrança de maior empenho e de maior qualidade?  Será que os torcedores não podem cobrar dias melhores? Convenhamos, a meu ver, a atual direção deveria sim, ter VERGONHA de seu gesto antidemocrático e de sua falta de competência, que tem levado nosso Tricolor a insucessos rotineiros. 

Pelo visto, nossos dirigentes precisam compreender melhor as manifestações dos Torcedores Gremistas, que ao estamparem a palavra VERGONHA, querem dizer que estão fartos da falta de qualidade do time, da falta de empenho dos jogadores, da falta de planejamento na formação do elenco, ou seja, da patente e da escancarada incompetência das gestões que administraram o Tricolor nos últimos tempos.

Em verdade, desde o período vitorioso da década de 90, capitaneada pelo então Presidente Fábio Koff, várias gestões se intercalam no poder, vivendo uma espécie de troca-troca de posições (situação/oposição), sem que nenhuma delas tenha encontrado o rumo do sucesso.

Vejam que ao iniciar este texto, citei a paixão. Mas entre a paixão e as vitórias almejadas por todos, há um longo caminho. Precisamos de um novo paradigma administrativo no Grêmio. Não adianta construirmos uma Arena moderna se continuamos com uma arcaica organização e um deficiente modelo de gestão. Não podemos mais apostar em propostas administrativas centralizadoras e personalistas, porquanto estas estão fadadas ao insucesso. Precisamos investir no planejamento e nas práticas de boa governança. E, também, precisamos cobrar dos futuros dirigentes o cumprimento das metas planejadas, para que a mudança não fique apenas no discurso e nos alfarrábios encerrados nas gavetas dos futuros administradores do Clube. 

Enfim, a despeito de todas as dificuldades, quero dizer que acredito, firmemente, que as mudanças são possíveis. Mas para que isto ocorra, é fundamental a implantação de um processo de gestão competente e a qualificação das relações políticas internas do nosso Clube. Por último, quero dizer que, como gremista apaixonado, tenho sempre desejo de conquistas e esperança de reverter qualquer dificuldade. Mas, independentemente dos resultados de campo, vou continuar combatendo todas as direções que negligenciem o Grêmio e sua fantástica torcida. Saudações Tricolores,

Leandro Vidal Nogueira

Torcedor e sócio gremista

Integrante dos “Sócios Livres – Grêmio de todos”

Conselheiro 2010/2016