Sanguessugas Contra a Primeira Liga

As sanguessugas são parasitas que se alimentam do sangue das suas vítimas, podendo ingerir uma quantidade de sangue 500 vezes superior ao seu próprio volume.

Mutatis mutandis, no futebol brasileiro temos as “corporações-parasitas” que, sob o pretexto de “organizar e administrar” o futebol, vivem “sugando” recursos das entidades desportivas filiadas, especialmente os grandes clubes. Criou-se uma verdadeira indústria da “organização do futebol”, onde, anualmente, milhões de reais em “taxas” saem do caixa dos grandes clubes e acabam engordando os cofres das federações estaduais e da CBF.

Em julho de 2015, os jornalistas Eduardo Gabardo e Rodrigo Oliveira apresentaram reportagem na Rádio Gaúcha (http://migre.me/sNCtK) que bem ilustra como o futebol brasileiro é controlado por “Coronéis”, que “estão totalmente envolvidos em um esquema que reúne perpetuação no poder, repasses milionáros sem prestação de contas, manobras eleitorais e ligações com a política partidária”. Eis alguns dados revelados pela citada reportagem: (1) nas 27 federações estaduais, dez presidentes estão há pelo menos 20 anos no comando; (2) na CBF temos uma mesma “corrente” no poder há décadas; (3) na Federação Gaúcha são 30 anos de domínio da mesma “corrente” política.

Este, portanto, o triste contexto desvelado pela reportagem: concentração de poder nas mãos de alguns “iluminados dirigentes” (coronéis da reportagem); criação de mecanismos de perpetuação no poder (farra de repasses de verbas); controle da “administração” do futebol pelas Federações e pela CFB (especialmente o calendário), em detrimento dos interesses dos grandes clubes.

Eis que neste cenário nefasto, surge a “Primeira Liga”, entidade que engloba grandes clubes do Sul/Minas Gerais/Rio de Janeiro e que, em suas próprias palavras, afirma ser uma associação que “mantém uma posição jurídica e desportiva de independência das federações e da CBF”.

Primeira Liga

Bendita independência, digo eu. Creio que a “Primeira Liga” pode se tornar o embrião de um movimento que venha resgatar o protagonismo dos grandes clubes na condução do futebol brasileiro. É preciso tomar as rédeas da organização e do calendário do nosso futebol, salvaguardando os interesses dos clubes e de milhões de torcedores apaixonados por este esporte.

E nesta luta pela soberania e pela libertação dos grandes clubes da tirania das Federações e da CBF, entendo ser imprescindível a união/coesão dos clubes. Neste embate, é importante que o torcedor saiba que sua participação é fundamental para fortalecer seus clubes, sendo que o melhor caminho é a valorização e o acolhimento deste novo campeonato. Precisamos mostrar que a força e a grandeza do futebol está na imensa legião de torcedores apaixonados e nos respectivos clubes, que não podem permanecer reféns dos interesses de alguns poucos "cartolas" que se apoderaram do futebol brasileiro.

Enfim, de minha parte, louvo a atitude e a coragem da direção gremista de buscar a valorização dos grandes clubes, mesmo que seja necessário enfrentar ameaças explícitas e veladas da Federação Gaúcha e da CBF. Da mesma forma, a direção gremista conta com meu apoio para buscar alternativas e novas parcerias que remodelem, de forma mais justa e razoável, o atual modelo de remuneração e rateio das cotas de televiosamento dos jogos de futebol. Ou seja, vivemos tempos em que é preciso ter coragem para quebrar paradigmas que desvirtuam o futebol brasileiro. Bendita iniciativa.

Leandro Vidal Nogueira
Conselheiro 2010/2016