Será Geromel o novo ídolo tricolor?

Ontem no jogo contra o Coritiba, viu-se o carinho e admiração que a torcida do Grêmio tem pelo Pedro Geromel, nosso zagueiro, que não tem jeito de zagueiro, não tem cara de zagueiro, mas que dentro do campo se transforma, como se aquele retângulo chamado grande área fosse seu escritório de trabalho; E, como trabalha bem em seus domínios.

Chegou desacreditado, até motivo de chacota para a imprensa, surgiu um áudio de um jornalista espanhol dizendo que Geromel era “muy malo” em todas as aptidões básicas para um zagueiro.

Vestiu o manto tricolor e virou um monstro na zaga, onde não perde uma bola por cima, queria ter a estatística de quantas bolas aéreas o Geromel tira da área por jogo, desarma e antecipa com uma sutileza espantosa, mas, não se priva de chegar forte quando necessário, até porque zagueiro que se preze, como diziam os mais antigos, não ganha o prêmio Belfort Duarte*.

Mas ontem no jogo, Geromel foi tudo isto e um pouco mais, Geromel foi goleiro, quando a bola passou pelo Grohe, e num salto acrobático, defendeu de cabeça aquele que seria o gol do adversário.

E foi mais que zagueiro e goleiro no jogo de ontem, Geromel foi ponta direita, ao modelo antigo, quando no segundo tempo arrancou por aquela parte do gramado, que foi imortalizada por  São Renato Portaluppi, e driblou o marcador, com um giro de corpo, foi ser parado apenas no pontapé por um defensor atônito.

Ainda, foi regente, líder, quando no final do jogo, era visível que a voz de comando dentro de campo era a dele.

Sim, Geromel está começando a escrever seu nome na galeria de mitos, e, a completará dando a volta olímpica com uma taça na mão, ainda este ano.

 

*O prêmio foi criado em 16 de agosto de 1945 pelo extinto Conselho Nacional de Desportos e instituído em 1 de janeiro de 1946[1] , destinado a jogadores de futebol, amadores ou profissionais[1] , que tivessem em suas respectivas carreiras ao menos duzentos jogos oficiais sem sofrer expulsões ao longo de no mínimo dez anos.